quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Objectivo: Felicidade


Mais do que pedras, paus, palmadas ou palavras mal dirigidas, a indiferença magoa.
Magoa duma forma profunda.
Violenta.
Doi que se farta.
Atinge-nos no mais profundo do nosso ser.
Mais do que a sorte, o azar que nos persegue faz-nos desanimar, abater, perder a vontade de resistir.
Mais do que um amor ausente, a solidão crava na alma as suas garras e rasga-nos sem piedade.
Mas quem foi que disse que a vida era fácil?
É verdadeiramente um mar de rosas.
Com a beleza impar da flor e a agrura dos espinhos.
Hoje, mais do que nunca, um único objectivo na vida.
Ser feliz.
Passo a passo, devagarinho, mas em direcção á felicidade que teima em fugir-me.
Desta vez, não deixarei que se escape.
Chega de ter sempre o diabo atrás da minha porta.
De hoje em diante, não tem mais porta atrás da qual se esconda.
Arranquei-a da minha vida em definitivo.
Se o diabo vier,
Não tem onde se esconda.
Porque eu não deixo.
Porque eu não quero.
E o meu querer é soberano.


Coimbra, 31 de Agosto de 2011
Silvino Salgueiro

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ontem, hoje e sempre...

O valor das coisas não está no tempo que elas duram,

Mas na forma como elas acontecem e nos tocam...

Por isso, como escreveu o poeta,

Existem momentos inesquecíveis,

Coisas inexplicáveis,

Pessoas incomparáveis.

No silêncio da noite, sob o olhar atento das estrelas,

Ecoam os sussurros breves

De momentos indeléveis e profundos,

Qual gorgolejar de águas vivas.

És a razão de tudo o que escrevo, digo e penso.

Contigo aprendi a sorrir e a ser quem sou.

Perco-me no tempo, nas memórias...

Percorro carreiros que não conheço,

Ouço passos que não dei...

Ergo as mãos ao alto numa prece silenciosa,

E peço para mim a benção de mais um dia contigo.

Amo-te porque te amo,

Como ama o amor,

Sem razão, com paixão,

Além da saudade.

Louco amor que de tão louco,

De loucura insana a ti te fere,


Num frenesim de sentimentos turvos.

Queria ter poder para mudar os tempos,

Alterar certos momentos...

Ontem, hoje e sempre...

Serás sempre a flor mais bela do jardim agreste

que plantei.




SS - Coimbra, 14Fev2010

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Desabafo...

Um inicio de dia excelente.
Uma tarde fantástica (Obrigado Zé, obrigado Ana).
Um fim de dia pavoroso.
Uma noite de pesadelo... E o pior de tudo, os botões ouvem-me mas não me respondem.
É assim a vida do caixeiro-viajante.
Quando o fato e gravata não são mais do que símbolos sem importância,
E te sentes como mais um número na estatística do sistema.
É quando te sentes só e a solidão te assombra como uma noite escura e densa que se abate sobre ti.
E, é nesses momentos em que te sentes como um pequeno grão de areia num deserto sem nome, como uma simples peça numa engrenagem que te consome, que alguém te faz sentir importante o suficiente para continuares.
E o peso dos que te diminuem sucumbe à leveza dos que te engrandecem.
E no areal imenso em que te julgas perdido e invisível, alguém te descobre como se estivesses sozinho numa praça deserta.
Porque és único.
E essa condição só aqueles que gostam de ti e te acham importante pode tornar latente.
Obrigado é pouco para agradecer aos que nos amam.
Se bem que o amor não deva agradecer-se.
E, como diz a sabedoria popular, depois da tempestade vem a bonança.
Esperemos por ela.
Afinal, e no que me diz respeito, eu acho que a mereço.
Modéstia à parte.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mondego

Desce da serra o Mondego,
Num sereno murmurar.
Beija Coimbra em sossego,
À Figueira vai parar.

Por entre montes e vales,
Vão correndo tuas águas,
Lavando nelas meus males,
Nelas deixo minhas mágoas.

Desde a Estrela ao Choupalinho,
Do Choupal até à Foz,
Vai Mondego de mansinho,
Deixa ouvir a tua voz.

Nesta capa de estudante,
Em que a tricana se embrulhou,
Vejo a lua cor de prata.

És Coimbra aquela amante,
Que o meu coração tomou,
No cantar da serenata.

Silvino Salgueiro 27/11/2011

Eu

Olho o negro firmamento
E fito a imensidão do espaço,
Pontilhado de luzeiros brilhantes e trémulos,
E em cada um deles vejo um sonho.

Olho o horizonte ao longe
E percorro o mar azul imenso,
Pintalgado de branco em cada vaga,
E em cada onda revolta vejo um sorriso.

Deixo afundar o pensamento,
Na escuridão da mente em sobressalto,
E no silêncio da noite tensa,
Sinto a vida fervilhar em mim.

Qual fénix renascida,
Sinto-me fremente.

Sinto o prazer da vida.

O tremor do vento.

O fluir do sonho.

O sabor de ser.

Eu.