quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mondego

Desce da serra o Mondego,
Num sereno murmurar.
Beija Coimbra em sossego,
À Figueira vai parar.

Por entre montes e vales,
Vão correndo tuas águas,
Lavando nelas meus males,
Nelas deixo minhas mágoas.

Desde a Estrela ao Choupalinho,
Do Choupal até à Foz,
Vai Mondego de mansinho,
Deixa ouvir a tua voz.

Nesta capa de estudante,
Em que a tricana se embrulhou,
Vejo a lua cor de prata.

És Coimbra aquela amante,
Que o meu coração tomou,
No cantar da serenata.

Silvino Salgueiro 27/11/2011

Eu

Olho o negro firmamento
E fito a imensidão do espaço,
Pontilhado de luzeiros brilhantes e trémulos,
E em cada um deles vejo um sonho.

Olho o horizonte ao longe
E percorro o mar azul imenso,
Pintalgado de branco em cada vaga,
E em cada onda revolta vejo um sorriso.

Deixo afundar o pensamento,
Na escuridão da mente em sobressalto,
E no silêncio da noite tensa,
Sinto a vida fervilhar em mim.

Qual fénix renascida,
Sinto-me fremente.

Sinto o prazer da vida.

O tremor do vento.

O fluir do sonho.

O sabor de ser.

Eu.