sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pai

Meu querido pai...
Hoje mais um ano, mais uma ruga, um cabelo branco e, espero, mais um dia de felicidade.
Pergunto-me por vezes, se fui ao longo dos anos o filho perfeito.
Seguramente que não.
Tivemos as nossas desavenças, próprias do conflito de gerações, passamos por momentos críticos e difíceis após o regresso de Moçambique, mas isso é passado.
Tão passado e distante que nem adianta relembrar.
Afinal sabes, em cada dia que passa me sinto mais próximo de ti.
Poderá haver até quem julgue que já vou tarde.
Entendo que não.
Na mesma proporção em que me embranquecem os teus cabelos, assim os meus se tornam mais brancos...
Na medida em que as mazelas te apoquentam, assim as minhas me não dão descanso.
E em cada dia que ultrapassamos nesta corrida louca que é a vida,
Sinto que afinal não sou diferente de ti.
Apenas uma versão renovada, já com alguns "upgrades" como se diz agora...
Adoro-te meu velho.
Deixa que pelo resto das nossas vidas possa ser o filho que não fui...
E sê para mim o amigo que sabes ser.
Sê paciente comigo... já aprendi que tenho que o ser contigo.
Perdoa-me os momentos menos bons, que são próprios da minha idade ainda jovem, apesar dos anos e dos cabelos brancos.
Acalenta-me como teu sorriso, que me faz sentir como é bom ainda ter-te comigo.
Mais te diria... mas seria repetir-me.
Usar de lugares comuns.
Prefiro ficar-me com a simplicidade de dizer-te:
Amo-te meu velho pai.
Que tenhas um feliz dia de aniversário.
Que a idade não te pese.
E se pesar, que eu esteja a teu lado para amparar-te.
Que assim deve ser entre filhos e pais.
Parabéns meu pai.
Beijos do tamanho do mundo.

Coimbra, 27 de Junho de 2015

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