sábado, 30 de abril de 2016

Perfeito... Ou não...

Vivemos num mundo que se quer perfeito.
Em que a perfeição é o objectivo.
E, curiosamente, o principal interessado nessa busca pela perfeição é o ser humano.
Imperfeito como essência da sua própria natureza.
Não sou perfeito.
Nem procuro a perfeição.
Nem está nos meus horizontes fazê-lo.
Todavia, é curioso como por vezes  nos saltam em cima, como se perfeitos tivéssemos que ser, e não nos fosse lícito errar.
Como é normal e natural num ser humano.
E cobram-nos.
Porque somos humanos.
E não perfeitos.
Diz o povo que a vida dá muitas voltas.
E nalgumas delas o cobrador pode passar a cobrado.
Por não ser perfeito.
Como achava que podia fazer-nos.
Como se fossemos perfeitos.
Que não somos.
Não está nos meus hábitos retaliar por tudo aquilo que me fazem e de que não gosto.
Não sou vingativo, na verdadeira acepção da palavra.
Mas, porque ser humano, logo imperfeito na sua perfeição, reajo a quente.
Duma forma explosiva.
Intempestiva.
Como diria a minha avó Maria Teixeira, "dá-me forte mas passa-me depressa".
Mas quem não se sente não é filho de boa gente.
E eu sinto-me.
E sou filho de boa gente.
Não sou perfeito.
Nem busco sê-lo.
Não me cobrem por isso.

Coimbra, 30 de Abril de 2016


Sem comentários:

Enviar um comentário